16 de nov. de 2010
15 de nov. de 2010
. praquê .
real, virtual, ideal. ele tinha uma serra. morava perto do mar. lugarzim frio. vontade de dormir sono bom. conchinha, coberta macia, cheirinho de vento novo. vida instalada, feita de cedo, trabalho, casa, cigarros e computador... ah! e sobrinho nos finais de semana. coisa boa! entrei aí. porta entreaberta. na verdade ainda não entrei corpo todo. só o cheiro da voz, gosto de imagem. bendito cosmos virtual. mundo de perto-longe. sou capaz de ouvir o cheirinho de costelinha de porco com arroz fresquinho. hummmm! ontem de samba. hoje, muita cama e desejo apertado, pirado, cabeça aí. fica coitado não, ando devagar, mas sempre chego. quero pra sempre. mistura, na panela que és, um pouco de mim, com um montão de você. de vez em quando, muito virtual. passou o tempo de comidinha amassada de ideal. num demora a gente faz um churrascão cheio de pimenta vermelha-real. vem comigo. é todo dia. hora inteira. cheia de minutos, segundos, milésimos de segundos. quero ilha. quero lençol e ventinho de maresia, pra corroer a dor da saudade. monte de mim procê! joga os dados que hoje eu tô com sorte. vivo de dezembro.
. prasaudade .
tinha pra mim que eu era forte. achava que a vida já havia me ensinado a sê-lo. ledo engodo! sou do grupo dos fracos, carentes, dependentes. tudo está em cambaleio, corda frouxa. nesse estado de coisas, com as fuças diante da despedida eterna, nem choro desagua de meu olhos, secos e desérticos que ficaram. eu que professo a dor, o sofrer, vivo o real desespero de nada ter. recuso-me a aprender alguma cousa disso. estou sonolento por dentro. horas tenho que pareço um não-ser. a dor é bem mais funda, é pró-funda. dizer adeus não tem nenhuma graça, sobretudo quando é pra sempre [ mas quem me iludiu que adeuses, quaisquer que sejam, não são pra sempre? ]. Deus parece mudo, surdo, cego... sinto falta de Deus. esse aí nunca antes havia me visitado. o Deus-ausente. encarnação assim não queria. em mim o perfuso-difuso silêncio. quietude que escuto com dor anestesiante, paralisante. é que os sonhos de alguém parecem sinos rachados. os badalos não produzem mais seu efeito. esforço-me por abstrair, para escutar algum som, mas o que escuto, por mais doído, é o estampido cego e seco de um mal que não tem cura. senhor, ainda não consigo decifrar-discernir sua vontade, talvez porque a minha esteja alta demais, mais elevada que a vossa. nem de rezar tenho pernas. estou constrangidamente amebado, parasita. ensina-me [ quem quer que sejas ] a ter confiança. perder não é tão simples como eu imaginava. ressurreição é etéreo, vago demais. quero o que eu tinha. ajuda-me a dizer tchau! dá-me a graça de ter saudade. dá-me o gosto da vida verdadeira, prenhe do travo da despedida. não sei mais por onde começar. eu que achava que me acreditava começado. silêncio!
. revisitando anotações pessoais. dia 24.12.09. alguém partindo pra nunca mais voltar .
. revisitando anotações pessoais. dia 24.12.09. alguém partindo pra nunca mais voltar .
14 de nov. de 2010
. praliquidificadores .
desligado. interrompido. rarefeito. o norte ficou zonzo. era como se ele não fosse. tempo de porra nenhuma. esvaziado, abria a boca pra dizer nada, apenas babava. porão fedido de si. ali, inerte, o mundo ia, passava. olhava, mas não via nada. ou melhor, via, mas era como se sua inteligência visual tivesse vazado. era tudo liquefeito. seus olhos, marejados e cansados, já não distinguiam beleza e feiura. era como se tudo fosse igual, monocolor, acedioso. não era questão de ter ou não ter sentido. era nada, apático, insípido. passava os dias como um parasita sugando não-sei-o-que, um afásico. ele mesmo, com sua teimosia insolente, cavara esse estado de coisas. queria ser poeta-de-palavra-nova. queria uma palavra marginal, capaz de dizer o todo, de falar tudo. de algum modo ele encontrou esse neo-vocábulo, inventou, sem perceber, um léxico. quando não achamos o que procuramos é aí que o que procurávamos estará. hoje eu vou pro samba. quero vida misturada, cheiro de gente, cor de vida, gosto de merengue. essa aí é procê basso!
11 de nov. de 2010
. pralibido .
se sim, vou ali. amo, de tanto e a miúdo, apertado e desengonçado, tão e tal, que me desintegro. manancial de coisas novas, respigando no entulho de minhas beiras. eu que achava que sabia a cor do amar. doida e doída, nunca saberei. palavra que não-sei, porque carne, vísceras, infecção. tento em vão abanar-te de mim. fico firme! fico firme? é, não estou firme. sou contradita, contra-o-senso, pós-coisa-alguma, alhures. frase incompleta. sou "mas", aguardando que, após a negativa da primeira parte, o período gramatical se defina. num transe insano, vou sem saber. pioro a cada dia. letárgica, ando cegueta. ânisa de vomitar vc, palavra agarrada na goela. sai de mim. fica em mim. vem pra mim. não, são, ai, como, sim, por, se, mas, pra, eu, você... pra ser meu, vá, e não se deixe ficar.
10 de nov. de 2010
. praquê .
minha atividade é mórbida. meu corpo cru. desejo de ser múltiplo. submundo de mim, tento em vão fazer-me posseiro de um eu. fico apenas no átrio pálido da casa que me fizeram. paredes em tons sem graça. poeta de palavra nenhuma. reles pirilampo sem sentido. alumio, mas não sei porque. estou vácuo, eco, puro, vazio, provisório. de jejum, escrevo em frenesi. é a maresia que começa a corroer-me as vísceras, que moe ajuntando letras, que se fazem sílabas, que se constroem palavras, que se constituem frases, soltas, desconexas, mas por isso mesmo, plenas de significado. manhã é sempre novidade. vai ver é por isso que detesto os começos. sou do meio. do vão, do entre, do espaço. adoro o fim. lá tudo se perde, nada se vê, pouco posso fazer. no fim tudo encontra abrigo.
9 de nov. de 2010
. pralacrar .
fecho a porta pra coisa estranha. mania boba, apesar de insensata. acabo deixando essa meleca entrar. coisa nojenta é a gente ver que a vida passa, vai, acaba. estou sempre me despedindo sem me despedir. vivo nu. estou despido para a tireoide emplatascada de "cachinhos-doiros-amanhados-com-linhaça". sem saber o que se passa. estou fraco, carente e careta. me sinto um placebo. quereria ser remédio forte pra tirar o estranho da casa alheia, mas sou farinha empaçocada. sirvo pra nada. sirvo-sem-servir. pra dançar a vida toda. fazer o mundo girar, numa piorra frenética. viver tudo no "dois pra lá, dois pra cá". quero mais. quero sempre... quero! às vezes me aborreço, às vezes não. às vezes! uma vara de condão e tudo se resolveria. bobagem. meu bagageiro é grande, cabe tudo, do "a" ao "z": angústia, bosta, carência, dor, enjôo, falta, hiatos, inquietude, jejum, larica, moleza, nada, opressão, peleja, querela, rudeza, sofridão, trauma, urro, vício, xacoco e zumbido. tô pronto? tô pronto! tô pronto... vambora que eu tô é dentro! hoje eu tô flá!
8 de nov. de 2010
. pralauína .
hj acordei com um verbo na cachola: lauinar. lauína é verbo, agere, peripécia, mesmo que se pense o contrário. aliás, lauinar é ser contra, invenção do inventar, mania louca de ser vocábulo-música-poesia, enfim, coisa alguma, porque não-pronta, por-fazer, sem receita. rasgada e inteira. quebrada e picotada, feita bricolagem. sempre outra, sempre a mesma, nunca sã. medrosa, corrosiva, léxica. já tens as rédeas, o chicote, peias apertadas, couro tratado e cheiroso, rédeas nas mãos... vambora? pra lugar nenhum vou. ser o que nunca fui. ser-sendo. crer-sendo. ir! se a gente vai chegar? solta as rédeas, sente o vento, sou pernas fortes, lombo largo, anca firme. esquece só agora que és louca {doidice é quando a gente quer ficar sempre doido, querendo dar conta de tudo}. fica sã, santa, lúcida, imaculada, virgem. deixa que eu te mostre o invisível, o além das pelejas, o sabor de não-saber. música-sem-música. dor que dói macio e dentro. imo, âmago, arfante, palpitante... quase uma morte. deixa doer! lauinei. pronto, reto, teso.
7 de nov. de 2010
. pralacrimejar . women in art
pra todas as mulheres, pra todos os homens. emplastrados de beleza. somos tinta, arte, rabiscos, sombras, esfuminho.
6 de nov. de 2010
. pralexicar - 2 .
"alijar"
tornar menos pesado; aliviar, tirando parte da carga.
negar, desconhecer (dever, compromisso etc.)
tornar menos pesado; aliviar, tirando parte da carga.
negar, desconhecer (dever, compromisso etc.)
apartar de si; afastar
. pralarica .
larica. buraco. barafunda. há em mim um oco, uma vontade de comer a fome. pareço-me voraz de meter a boca em mim mesmo, de me saborear, de me comer com dentes impiedosos. mas sou rês - coisa morta para alimentar os famintos de coisas vívidas. coisa tosca. sabor azedo depois de se ter engolido. estou estabacado no fundo de alguém dentro de mim mesmo. doido é quem afunda-se em si. doido e pleno. pleno e amplo. amplo e calmo. caçapa vazia sou. espero que me acertem, que me interceptem, que me preencham. premente invasão. avante, arrebentem minhas portas destramelhadas, destrambelhadas... confuso, difuso, efuso. estou pelo que sou. por trás de mim, vejo-me. perdido e achado. louco e são. sim e não. baralhado!
ps.: acho que tô meio zonzo. festa é assim, faz a gente ficar mais out. continuo irritado (viu rê!) com os maiúsculos.
ps.: acho que tô meio zonzo. festa é assim, faz a gente ficar mais out. continuo irritado (viu rê!) com os maiúsculos.
5 de nov. de 2010
. pra-ser . pra-zer .
coisas de ontem, do caderninho amarelo da cabeceira . segredos . palavras minhas
nunca antes eu havia vivido um tempo de tanta pobreza de mim mesmo. isso, apesar das confusões interiores, me faz sentir uma fome sem fim de infinito. abriu-me o apetite. apurou meu paladar. sinto-me um pouco mais alerta. não penso mais a vida em termos definidos, estáticos, quadrados... sei, pela via do perde-se, que a vida tem uma "dinamys" indomável. se eu coloco-a na prisão ela fica "burro chucro", dando coices e patadas... é preciso deixar a vida solta, sem peias... indomada! a vida é redonda!
nunca antes eu havia vivido um tempo de tanta pobreza de mim mesmo. isso, apesar das confusões interiores, me faz sentir uma fome sem fim de infinito. abriu-me o apetite. apurou meu paladar. sinto-me um pouco mais alerta. não penso mais a vida em termos definidos, estáticos, quadrados... sei, pela via do perde-se, que a vida tem uma "dinamys" indomável. se eu coloco-a na prisão ela fica "burro chucro", dando coices e patadas... é preciso deixar a vida solta, sem peias... indomada! a vida é redonda!
. pralexicar .
aos "tarados" [ como eu ] por aprender novas palavras!
"necátor"
que ou quem mata; assassino, matador
"necátor"
que ou quem mata; assassino, matador
. praouvir . vanessa da matta
- vanessa da matta
- cd bicicletas, bolos e outras alegrias
- formato praouvir online (site terra sonora)
- link: http://sonora.terra.com.br/#/cd/153490/bicicletas_bolos_e_outras_alegrias
. praler . palavra de pessoa
- fernando pessoa
- livro do desassossego
- formato pdf
- link pra baixar: http://www.scribd.com/doc/41141881/o-Livro-Do-Desassossego
- livro do desassossego
- formato pdf
- link pra baixar: http://www.scribd.com/doc/41141881/o-Livro-Do-Desassossego
. pralavrar .
sou de todas as cores! feito em letras minúsculas (acho um tédio quem gosta de usar maiúsculas). uma coisa feita chã. um carretel de linhas misturadas, mútliplas, tripontas, perdidas e emabaralhadas. restrito e não-restritivo. sou da palavra (feita pralavrar, pralavar, pralevar, pralivrar, pralimpar, pralembrar, praliviar, pralouvar, pralixar, pralinê...). sou lau, rê, flá, ra, man, rô... cheio de pseudônimos, de antinomias, sou alterônimo. sou nada... sou tudo. destesto os facilmente decifráveis. mistério e sombras sou-sendo; possibilidade! radicalmente aberto, cheio de fechos, muitas tramelas, aduelas, bambinelas, dobradiças... já não sei quem sou! depouco vou me narrando.
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