pralavrar
palavras paridas palavras
30 de ago. de 2011
prafora
e ao terceiro dia, calou! calcificado na palavra vinda, nova, cheia. veio sem pedir, apareceu. transfigurei-me. pela primeira vez me vi nu diante da palavra una-diversa. não da estética, mas da palavra brava, intimidadora, afônica, louca, invasiva. vinda assim, arrebatou-me. poema jogado na cara lépida. entendo, sem saber. sei, apesar de. invertido, vai doendo, furando, cortando. seco de tanta água bebida. afogado, sobrevivo. deixo ir. sempre de novo. quero colo dos de fora. voltei!
14 de mai. de 2011
praleme
era pra não ser. vivo fora de mim, de um jeito estranho e abusado, "do leme ao pontal". quero a inversão. de invadido assim, fiquei moxo, sem palavra, estou inadequado, virado, mexido. sinto falta do que ainda não sei. dinâmico e absurdo, vivo voando, olhando pra lá, pra longe... fértil de imaginário, tonto, vertiginoso, incauto. não me domino. deixar de amar seria desdizer-me. reinventado, estou ácido de um não-sei-quê. estou farto de mim, cheio de outro, pobre-rico. pra ir pra frente, miro pro espaço sideral. estou estelar. o que era pra não ser, já é. é de novo... é pra sempre...
3 de fev. de 2011
pravortá!
coisa maluca é viver... vida cheia de reticências... renitências... reincidências... muita re pra pouco ro, de rocambole, roscovo, rococó... seja como for, ando assim, pálido e miúdo; feito de mim mesmo. coisa pouca. bem poquinha. fraco e descangotado, bobo e pastelão... num é que as coisas estão tomando seu rumo? vida, cheiro de pouco, feita de nata, solta no estéreo. tô bebericando-a, sorvendo-a... é que pouco também alimenta. vortei!
16 de nov. de 2010
15 de nov. de 2010
. praquê .
real, virtual, ideal. ele tinha uma serra. morava perto do mar. lugarzim frio. vontade de dormir sono bom. conchinha, coberta macia, cheirinho de vento novo. vida instalada, feita de cedo, trabalho, casa, cigarros e computador... ah! e sobrinho nos finais de semana. coisa boa! entrei aí. porta entreaberta. na verdade ainda não entrei corpo todo. só o cheiro da voz, gosto de imagem. bendito cosmos virtual. mundo de perto-longe. sou capaz de ouvir o cheirinho de costelinha de porco com arroz fresquinho. hummmm! ontem de samba. hoje, muita cama e desejo apertado, pirado, cabeça aí. fica coitado não, ando devagar, mas sempre chego. quero pra sempre. mistura, na panela que és, um pouco de mim, com um montão de você. de vez em quando, muito virtual. passou o tempo de comidinha amassada de ideal. num demora a gente faz um churrascão cheio de pimenta vermelha-real. vem comigo. é todo dia. hora inteira. cheia de minutos, segundos, milésimos de segundos. quero ilha. quero lençol e ventinho de maresia, pra corroer a dor da saudade. monte de mim procê! joga os dados que hoje eu tô com sorte. vivo de dezembro.
. prasaudade .
tinha pra mim que eu era forte. achava que a vida já havia me ensinado a sê-lo. ledo engodo! sou do grupo dos fracos, carentes, dependentes. tudo está em cambaleio, corda frouxa. nesse estado de coisas, com as fuças diante da despedida eterna, nem choro desagua de meu olhos, secos e desérticos que ficaram. eu que professo a dor, o sofrer, vivo o real desespero de nada ter. recuso-me a aprender alguma cousa disso. estou sonolento por dentro. horas tenho que pareço um não-ser. a dor é bem mais funda, é pró-funda. dizer adeus não tem nenhuma graça, sobretudo quando é pra sempre [ mas quem me iludiu que adeuses, quaisquer que sejam, não são pra sempre? ]. Deus parece mudo, surdo, cego... sinto falta de Deus. esse aí nunca antes havia me visitado. o Deus-ausente. encarnação assim não queria. em mim o perfuso-difuso silêncio. quietude que escuto com dor anestesiante, paralisante. é que os sonhos de alguém parecem sinos rachados. os badalos não produzem mais seu efeito. esforço-me por abstrair, para escutar algum som, mas o que escuto, por mais doído, é o estampido cego e seco de um mal que não tem cura. senhor, ainda não consigo decifrar-discernir sua vontade, talvez porque a minha esteja alta demais, mais elevada que a vossa. nem de rezar tenho pernas. estou constrangidamente amebado, parasita. ensina-me [ quem quer que sejas ] a ter confiança. perder não é tão simples como eu imaginava. ressurreição é etéreo, vago demais. quero o que eu tinha. ajuda-me a dizer tchau! dá-me a graça de ter saudade. dá-me o gosto da vida verdadeira, prenhe do travo da despedida. não sei mais por onde começar. eu que achava que me acreditava começado. silêncio!
. revisitando anotações pessoais. dia 24.12.09. alguém partindo pra nunca mais voltar .
. revisitando anotações pessoais. dia 24.12.09. alguém partindo pra nunca mais voltar .
14 de nov. de 2010
. praliquidificadores .
desligado. interrompido. rarefeito. o norte ficou zonzo. era como se ele não fosse. tempo de porra nenhuma. esvaziado, abria a boca pra dizer nada, apenas babava. porão fedido de si. ali, inerte, o mundo ia, passava. olhava, mas não via nada. ou melhor, via, mas era como se sua inteligência visual tivesse vazado. era tudo liquefeito. seus olhos, marejados e cansados, já não distinguiam beleza e feiura. era como se tudo fosse igual, monocolor, acedioso. não era questão de ter ou não ter sentido. era nada, apático, insípido. passava os dias como um parasita sugando não-sei-o-que, um afásico. ele mesmo, com sua teimosia insolente, cavara esse estado de coisas. queria ser poeta-de-palavra-nova. queria uma palavra marginal, capaz de dizer o todo, de falar tudo. de algum modo ele encontrou esse neo-vocábulo, inventou, sem perceber, um léxico. quando não achamos o que procuramos é aí que o que procurávamos estará. hoje eu vou pro samba. quero vida misturada, cheiro de gente, cor de vida, gosto de merengue. essa aí é procê basso!
11 de nov. de 2010
. pralibido .
se sim, vou ali. amo, de tanto e a miúdo, apertado e desengonçado, tão e tal, que me desintegro. manancial de coisas novas, respigando no entulho de minhas beiras. eu que achava que sabia a cor do amar. doida e doída, nunca saberei. palavra que não-sei, porque carne, vísceras, infecção. tento em vão abanar-te de mim. fico firme! fico firme? é, não estou firme. sou contradita, contra-o-senso, pós-coisa-alguma, alhures. frase incompleta. sou "mas", aguardando que, após a negativa da primeira parte, o período gramatical se defina. num transe insano, vou sem saber. pioro a cada dia. letárgica, ando cegueta. ânisa de vomitar vc, palavra agarrada na goela. sai de mim. fica em mim. vem pra mim. não, são, ai, como, sim, por, se, mas, pra, eu, você... pra ser meu, vá, e não se deixe ficar.
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