14 de nov. de 2010

. praliquidificadores .

desligado. interrompido. rarefeito. o norte ficou zonzo. era como se ele não fosse. tempo de porra nenhuma. esvaziado, abria a boca pra dizer nada, apenas babava. porão fedido de si. ali, inerte, o mundo ia, passava. olhava, mas não via nada. ou melhor, via, mas era como se sua inteligência visual tivesse vazado. era tudo liquefeito. seus olhos, marejados e cansados, já não distinguiam beleza e feiura. era como se tudo fosse igual, monocolor, acedioso. não era questão de ter ou não ter sentido. era nada, apático, insípido. passava os dias como um parasita sugando não-sei-o-que, um afásico. ele mesmo, com sua teimosia insolente, cavara esse estado de coisas. queria ser poeta-de-palavra-nova. queria uma palavra marginal, capaz de dizer o todo, de falar tudo. de algum modo ele encontrou esse neo-vocábulo, inventou, sem perceber, um léxico. quando não achamos o que procuramos é aí que o que procurávamos estará. hoje eu vou pro samba. quero vida misturada, cheiro de gente, cor de vida, gosto de merengue. essa aí é procê basso!

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