15 de nov. de 2010

. prasaudade .

tinha pra mim que eu era forte. achava que a vida já havia me ensinado a sê-lo. ledo engodo! sou do grupo dos fracos, carentes, dependentes. tudo está em cambaleio, corda frouxa. nesse estado de coisas, com as fuças diante da despedida eterna, nem choro desagua de meu olhos, secos e desérticos que ficaram. eu que professo a dor, o sofrer, vivo o real desespero de nada ter. recuso-me a aprender alguma cousa disso. estou sonolento por dentro. horas tenho que pareço um não-ser. a dor é bem mais funda, é pró-funda. dizer adeus não tem nenhuma graça, sobretudo quando é pra sempre [ mas quem me iludiu que adeuses, quaisquer que sejam, não são pra sempre? ]. Deus parece mudo, surdo, cego... sinto falta de Deus. esse aí nunca antes havia me visitado. o Deus-ausente. encarnação assim não queria. em mim o perfuso-difuso silêncio. quietude que escuto com dor anestesiante, paralisante. é que os sonhos de alguém parecem sinos rachados. os badalos não produzem mais seu efeito. esforço-me por abstrair, para escutar algum som, mas o que escuto, por mais doído, é o estampido cego e seco de um mal que não tem cura. senhor, ainda não consigo decifrar-discernir sua vontade, talvez porque a minha esteja alta demais, mais elevada que a vossa. nem de rezar tenho pernas. estou constrangidamente amebado, parasita. ensina-me [ quem quer que sejas ] a ter confiança. perder não é tão simples como eu imaginava. ressurreição é etéreo, vago demais. quero o que eu tinha. ajuda-me a dizer tchau! dá-me a graça de ter saudade. dá-me o gosto da vida verdadeira, prenhe do travo da despedida. não sei mais por onde começar. eu que achava que me acreditava começado. silêncio!

. revisitando anotações pessoais. dia 24.12.09. alguém partindo pra nunca mais voltar .

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